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Terça-feira,
Abril 19, 2005
Resistentes
da cultura e da arte
Hoje
me vi de volta ao passado. A um
passado presente, cheio de alegria
e beleza, como há anos
não presencio mais. Foi
um saltitar de pernas, foram trocas
de olhares e abraços apertados
cheios de saudade.
Os comentários que mais
se ouviam era: os resistentes,
dinossauros da arte e diletantes
da cultura nessa cidade agora
sem brilho, nem néctar
e nem ousadia.
O livro foi lançado, Ciranda
dos Tempos, daquela loira de olhos
verdes e uma insanidade lúcida,
cheia de energia e conta a história
de uma cidade que teve seus homens
artistas voando alto, soltando
verbos, catando letras, solfejando
sonhos, aplaudindo as vontades,
filmando desejos, compondo paixões,
transgredindo conflitos e almejando
espaços. Espaços
de desejos.
Hoje voltei naquele tempo. Tempo
em que eu me vi na foto ilustrada
no livro, e pensei: fiz parte
dessa história também!
Eu estava lá meio sem saber
o que fazer, dançando com
eles e os olhava com admiração
e receio.
Admir ação pela
força, pela ideologia de
vida, vontade de mudar o mundo
começando por nossa cidade
banhada desse banhado de gente
que torna nossa cidade viva, ainda
que meio amortecida pelas mãos
dos que não sabem do que
a arte é capaz. E os olhava
com receio porque sabia de alguma
forma que o tempo esmorece os
corações e nossas
vontades de mudança.
Hoje tive a certeza de que a cultura
e arte, fazem das pessoas seres
mais plenos, eternos inconformados,
amantes da indignação
e penso nas palavras da autora
que me fazem sentir mais forte,
quando diz: "a cultura foi
feita para transcender o insuportável"
e eu só posso então
dizer que a mulher loira de olhos
verdes e uma insanidade lúcida
está totalmente certa!
Nome do livro: Ciranda dos Tempos
- Espaços do desejos
Autora: Beth Brait Alvim
Editora: Escrituras
2005 / LIF - Patrocínio
Kodak do Brasil
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