CLEIBSON CARLOS.
"Nasci em um dia desimportante de um ano qualquer.
Não possuo milhares de trabalhos inéditos
ou poesias publicadas em lugar algum. Participei de
diversos concursos literários sem sucesso.
Vago anônimo na multidão, pois sou um
ser ordinário e banal. Cultuo Jô Soares,
Paulo Coelho, Lair Ribeiro e Sidney Sheldon. Uso a
literatura para galgar algumas posições
sociais e desfilar por lugares fétidos com
ares de intelectualidade cínica e superior."
Em 2000 fui visitar a Oficina Literária do
Centro Cultural Inamar. Ia ver se gostava. Nenhum
dia mais deixei de escrever. Sou leitor e crítico
assíduo.
Ignotus
Cleibson
Carlos
a
indignação
adormecida
desaparece
na rotina das
tragédias alheias
Face
Cleibson
Carlos
ao
redor do enorme mundo
a língua que pede alimento
independe das diferenças
a face faminta
é a mesma
e a pobreza
idêntica
Senzala
Cleibson
Carlos
feia
escultura de madeira oca.
farta ceia de cupins famintos
alvenaria à margem da arquitetura
à deriva da veloz cibernética
moldura pós-apocalíptica
senzala pós-moderna.
Antologia
"Tempos Perplexos" realização
do Departamento de Cultura de Diadema.
Concepção, seleção, organização:
Beth Brait Alvim
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