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Autran
Dourado nos fala de uma visão barroca criativa
e ideológica no livro "A barca dos homens",
bem como apresenta seus personagens de acordo com
este fato.
Baseando-se
na vida dos personagens e do seu relacionamento entre
si, podemos analisá-los juntamente com o contexto
social em que vivem. Exemplifico isto no capítulo
intitulado: A casa da câmara. Notamos num primeiro
plano que o cenário se desenrola na parte velha
da cidade, onde a citada casa existia. O autor a descreve
como símbolo do poder político, detalha
o Largo da Câmara através de sua arquitetura
colonial que era o orgulho do rei, menciona a posição
geográfica da ilha para mencionar a sujeira
em que ela se encontra. Percebe-se isto no seguinte
trecho: " o mar onde boiavam barcos de serviço
um mar feio, sujo, cheio de estopas e nódoas
de óleo...". Continuando o passeio, o
autor nos fornece uma visão só cio dos
trabalhadores da ilha: "a cirene da Fábrica
deitava uivos dolorosos, metálicos, doíam".
Este trecho encontrado na página 53 do referido
capítulo, apresenta a Fábrica como sendo
metaforicamente o corpo do Homem e dentro dele habitam:
vermes, doenças contagiosas. O referido corpo,
adoecido, faminto, sem a mínima condição
de ser denominado como um ser humano é esmagado
por um poder tiranizante, o qual deixa-o incapaz de
sobreviver dignamente.
O
livro possui uma estrutura celular circular, com idas
e vindas, demonstrando uma sociedade predatória,
egocêntrica, isolando o Homem em pequenas ilhas,
universos fechados que o asfixiam à medida
que caminha. Entretanto, o autor fornece uma saída
para que os personagens escapem de suas ilusões
existenciais. Exemplificaremos o que foi dito com
o trecho: "Três homens saíram do
mar e ganharam o continente. Agora somos livres, disse
Amadeu se voltando para ver o mar que ficara para
trás. Deus Todo Poderoso, que criou um dia
tão bonito, bem que podia ter pena de mim,
disse Benjamim". "Quer dizer que agora cada
um toma o seu rumo? disse João Batista"
(pág. 260). Esta liberdade mencionada pelo
autor, simboliza o crescimento psicológico
e espiritual do Homem, livre dos grilhões impostos
pela filosofia barroca. É um novo tempo, uma
nova Vida que renasce para um porvir equilibrado,
sem fugas. A sociedade, simbolizada pelos presos de
outrora, foi reinventada, possui valores mais justos,
age harmonicamente com a realidade.
A
Barca dos Homens representa a união dos universos
isolados da sociedade, que se juntam e se interligam,
saindo do egocentrismo para a união e a concórdia.
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