Antologia "Tempos Perplexos" - alguns poemasconheça os participantes do grupo "Palavreiros"conheça os participantes do grupo "Palavreiros"crítica literária /  ensaios / entrevistasAntologia "Tempos Perplexos" - alguns poemasLivro marca os 10 Anos de Literatura em Diadema Agenda Cultural: Informes / Dicas de leitura3º Festival - "Palavreiros - Dia Mundial da Poesia"Antologia "Tempos Perplexos" - alguns poemasLivro marca os 10 Anos de Literatura em Diadema 3º Festival - "Palavreiros - Dia Mundial da Poesia"

Breve comentário sobre o livro "A barca dos homens"

por Leão Moysés Zagury


             Autran Dourado nos fala de uma visão barroca criativa e ideológica no livro "A barca dos homens", bem como apresenta seus personagens de acordo com este fato.

             Baseando-se na vida dos personagens e do seu relacionamento entre si, podemos analisá-los juntamente com o contexto social em que vivem. Exemplifico isto no capítulo intitulado: A casa da câmara. Notamos num primeiro plano que o cenário se desenrola na parte velha da cidade, onde a citada casa existia. O autor a descreve como símbolo do poder político, detalha o Largo da Câmara através de sua arquitetura colonial que era o orgulho do rei, menciona a posição geográfica da ilha para mencionar a sujeira em que ela se encontra. Percebe-se isto no seguinte trecho: " o mar onde boiavam barcos de serviço um mar feio, sujo, cheio de estopas e nódoas de óleo...". Continuando o passeio, o autor nos fornece uma visão só cio dos trabalhadores da ilha: "a cirene da Fábrica deitava uivos dolorosos, metálicos, doíam". Este trecho encontrado na página 53 do referido capítulo, apresenta a Fábrica como sendo metaforicamente o corpo do Homem e dentro dele habitam: vermes, doenças contagiosas. O referido corpo, adoecido, faminto, sem a mínima condição de ser denominado como um ser humano é esmagado por um poder tiranizante, o qual deixa-o incapaz de sobreviver dignamente.

             O livro possui uma estrutura celular circular, com idas e vindas, demonstrando uma sociedade predatória, egocêntrica, isolando o Homem em pequenas ilhas, universos fechados que o asfixiam à medida que caminha. Entretanto, o autor fornece uma saída para que os personagens escapem de suas ilusões existenciais. Exemplificaremos o que foi dito com o trecho: "Três homens saíram do mar e ganharam o continente. Agora somos livres, disse Amadeu se voltando para ver o mar que ficara para trás. Deus Todo Poderoso, que criou um dia tão bonito, bem que podia ter pena de mim, disse Benjamim". "Quer dizer que agora cada um toma o seu rumo? disse João Batista" (pág. 260). Esta liberdade mencionada pelo autor, simboliza o crescimento psicológico e espiritual do Homem, livre dos grilhões impostos pela filosofia barroca. É um novo tempo, uma nova Vida que renasce para um porvir equilibrado, sem fugas. A sociedade, simbolizada pelos presos de outrora, foi reinventada, possui valores mais justos, age harmonicamente com a realidade.

             A Barca dos Homens representa a união dos universos isolados da sociedade, que se juntam e se interligam, saindo do egocentrismo para a união e a concórdia.

 

          

© GRUPO PALAVREIROS - 1999/ 2006
TODOS OS DIREITOS RESERVADOS