Distrito Federal*/ Brasil

Cordel da Fome
(à medida do homem)

Em Memória de Josué de Castro, Betinho, Jorge Amado, Raul Seixas
e João Cabral de Melo Neto...
Aos Mártires do Brasil e do Mundo...
Aos que lutam por um mundo melhor...

Ao Mestre Rodrigo Cabrero e
Aos Poetas José Geraldo Neres e Luiz Alberto Machado
Ao Escritor Jackson Rubem,
Às Escritoras Maria Félix, Vania Diniz,Ana Peluso, Célia Lamounier,
Delasnieve Daspet, Vandeli Mediros e Inês Simões...

Gustavo Dourado(Amargedom)

Geografia da fome
É um livro universal...
Disseca a realidade
Da terra do carnaval...
Da sub-desnutrição
Via multinacional...

Josué lembra os Sertões
O Quinze, a Bagaceira
Vidas Secas-Lampião,
Patativa, Zé limeira...
Repente-Cordel-Cangaço
Xaxado... Mulher–Rendeira

Josué mártir–guerreiro,
A fome nos violenta,
Tortura a população
Desnutre-desorienta.
Fome de Educação...
É oito ou é oitenta...

Mestre da geografia
Médico e pensador
Diplomata e filósofo
Cientista-escritor
Homem público-honesto
Inteligente-criador...

Foste profeta da fome,
Perseguido-exilado
Embaixador em Genebra,
Na ONU foi destacado...
Por sua capacidade,
Ao Nobel foi indicado...

Pobres homens-caranguejos,
Comendo lixo e lama...
Seres sem-terra, sem-teto,
Vítimas da grande trama
Tornam-se anões-gabirus
Sem-escola e sem-cama...

Humanidade faminta,
De amor, prazer e pão
Falta escola, falta paz...
Só não falta exploração
Falta o feijão com arroz,
Na novela da opressão...

Fome global no mundo
No Brasil: calamidade...
Desemprego-desgoverno
Subnutrem a verdade.
A fome devora a vida,
No campo e na cidade...

Fome histórico-geográfica,
Neste Brasil-continente.
Devora o trabalhador,
Com salário deprimente,
Carcome a vitalidade
E a luz de nossa gente...

A corrupção impera
No coração do Brasil
Alibabás e lalaus
multiplicam-se por mil
Entregam o patrimônio
Ao estrangeiro hostil

Guaribas e Cearás
Vitimados pela fome
O terror massacra o povo
Analfabeto sem nome...
Gringos comem caviar
Lá em Londres e Maiame...

A fome assola a terra...
O Brasil de sul a norte
Saara... Afeganistão...
La fome é irmã da morte
Xangô Cristo Alá Tupã
Como fica nossa sorte?

O que será do Brasil?!
Tanta renda concentrada!
A fome matando a plebe...
Amazônia devastada...
O que será do planalto?
Terá luz na alvorada?

Até quando o descaso?
A grande massa espoliada
Trabalhadores com fome,
Sem-salário, na estrada...
Sem-terra, sem esperança,
se alimentando do nada?!

A fome é um dilema
Neste país-continente
Falta lastro e competência,
Pra elite dirigente,
Que mata o povo de fome:
Raiva dengue dor de dente...

Severinos retirantes,
Favelados na miséria,
Governantes! Olho vivo...
A situação é séria...
O povo já virou gado.
Nessa vida deletéria.

O povo vive inchado
por falta de nutriente...
O povo está calado,
Porém, não está contente,
Quer mudar o paradigma,
Da gestão incompetente.

Valei-nos Santa Quitéria,
São Cristóvão, São Joaquim,
São Lutero, São Calvino,
Na inquisição do fim...
Varrei a fome do mundo...
São Miguel, São Serafim.

Valei-nos Nossa Senhora,
Nosso Senhor do Bonfim
Minha mãe Aparecida...
O que é que será de mim?!
Com o salário congelado,
será que será o fim?!!

Valei-me meu Padim Ciço
São Pedro e São João
A fome devora o povo
Com tanta corrupção...
Impera dor no palácio:
Acuda... Frei Damião...

Lá na Vila Estrutural,
Sombria desnutrição,
Nos recantos-samambaias,
Nas favelas da ilusão...
Valei-me Santa Maria
E meu São Sebastião

Está na hora de mudar
Repartir melhor a renda,
Com aluno bem nutrido
Qualidade na merenda
Espero chegar ao dia
Que a fome seja lenda...

O latifúndio esfomeia
Traz o êxodo rural
Faveliza o cidadão
Dilacera o social
Reforma agrária, urgente...
Grita a plebe marginal

Na luta, na resistência,
Zumbis e Conselheiros
Quilombos e contestados,
Nos Canudos brasileiros
Escreveram a História
Patriotas verdadeiros...

Exportam o alimento
Pra Europa e Japão,
O povo fica faminto
Comendo luz-ilusão
Maqueiam fome-novela
Mascaram na televisão...

Revolucionar o estado
E a nação transformar
Conquistar soberania
E a fome exterminar...
Fazer o povo feliz
“Cante lá, que eu canto cá” ...

Ao jovem Mestre Rodrigo
Nosso vate comandante
Aos colegas de Escola...
lutadores, sempre avante
Gente que combate a fome,
Faz Josué triunfante...

Vida na linha de frente,
Luminosa, radiante...
Amor, uma obra-prima,
Universal transmutante
A Arte nos alimenta,
Com a leitura de Dante...

A todos, nossa amizade...
E nossa admiração...
É preciso consciência
Em uma Nova Gestão...
Desejo paz e sucesso
Mundo em Revôolução...


Apresentado como Trabalho no Curso de Pós-Graduação
Em Gestão Pública 2001/2002
ONU/ESCOLA DE GOVERNO, com nota 10.


Cordel da castração
A Jorge Amado, que escreveu:
"O Cordel da Castração é excelente"

Gustavo Dourado(Amargedom)

1 - A Aids é uma praga
Contamina o social
Terrorismo do Estado
Horror multinacional
Prenúncio da besta-fera
A Aids é canibal

2 - A Aids está no ar
Na tela da televisão
Ela é prima da miséria
É irmã da inflação
Filha do FMI
Amante da corrupção

3 - Aids! Fera consumista
Megera da eratômica
Bacteriológica Biônica
Vírus do morticínio
Agente do extermínio
Traz a morte supersônica

4 - Desconfio que ela veio
Pra acabar com o tesão
Torturar o ser humano
Conter a Revolução
Sem orgasmo e com fome
Adeus quinta dimensão


Cordel dos sem-terra

Gustavo Dourado(Amargedom)

Trabalhadores, uni-vos!
Contra a tal da opressão
Violência não resolve
Muito menos repressão
Vamos dividir a terra
Cada um com seu quinhão.
O massacre sanguinário
Ocorreu em pleno abril
Trabalhadores sem-terra
Sob a mira do fuzil
Bárbaro assassinato
Ensangüentando o Brasil.

O povo vítima da fome
Da violência estatal
Empresários fazendeiros
Terrorismo canibal
Transformando o Eldorado
Trabalhador condenado
A mando do capital.

A hecatombe telúrica
O horror policial
Torturando as criancinhas
Dizimando o social
O Brasil está de luto
Contra a chacina imoral.

A causa da violência
Seja urbana ou rural
Provem da concentração
Da terra e do capital
Do latifúndio improdutivo
Surge a desgraça geral.

Reforma agrária, solução
Precisamos trabalhar.
Vamos dividir a terra
E a terra cultivar
Terra é pra produzir
Para o povo alimentar...

O 17 de abril...
Na história vai ficar
Sangraram a consciência
Pelotões a fuzilar
Os sem-terra vão à luta
Para a terra conquistar.

Acorda, Brasil! Desperta
Terra, vida, educação
Neoliberalismo é fria
É bomba contra a nação.
Queremos reforma agrária
Mais arroz e mais feijão...

 

Gustavo Dourado(Amargedom)
Presidente do Sindicato dos Escritores
Brasília-Brasil

— Baiano de Recife dos Cardosos - Ibititá (região de Irecê)/ Chapada Diamantina, Gustavo Dourado (Amargedom) viveu na Bahia durante 15 anos. Em Brasília há 27 anos, tem participado ativamente dos movimentos políticos,ecológicos, populares, sociais e culturais.

Na UnB(1979/1985) destacou-se como líder estudantil/ativista cultural e promoveu vários eventos como o Flimpo, a Expoarte, Show do Arroto e encontros estudantis,com apresentações de Renato Russo,Mercedes Sosa,Gilberto Gil e Ferreira Gullar,entre outros. Foi fundador e Diretor do Centro Acadêmico de Letras(1979/1982)

Amargedom é autor de nove livros, alguns premiados e com poemas traduzidos em cinco idiomas. É professor de Português, Literatura, Lingüística, Redação, Religião, PAE, Cultura Popular e Folclore Brasileiro. Lecionou no Colégio Elefante Branco e na Faculdade de Artes Dulcina de Moraes. Ensinou no Gama, Ceilândia, Taguatinga, LBA e no Hospital Sarah (nas áreas de criatividade e de linguagens artísticas).

Atuou como delegado e militante do Sindicato dos Professores, Senalba, Sindsep e Sindicato dos Escritores (Diretor sociocultural).

Em Taguatinga dirigiu o CineClube Gritto, participou da Associação dos Moradores da QNG, do Grupo Caxadágua e da Associação de Arte e Cultura / FACULTA.

É produtor cultural e de eventos e membro do Fórum Brasília. Faz parte de academias e entidades socioculturais. Presidente da Academia de Letras e Música do Brasil e membro da Academia Internacional de Lutèce, Paris, França. Pesquisador cinematográfico, fez a pesquisa biográfica e literária do filme “Castro Alves”, de Silvio Tendler, prêmio Margarida de Prata da CNBB, em 1999.

Assessor de Literatura da Fundação Cultural do DF. Presidente do Sindicato dos Escritores do DF. Representante da União Brasileira de Escritores.

Filiado à Associação de Imprensa de Brasília. Pós-graduado em Gestão ( ONU), Literatura, Educação, Folclore, Cultura Popular, Linguagem Teatral e Linguagens Artísticas.

Seu trabalho recebe constantes elogios de críticos e jornalistas e foi analisado pela professora, escritora e antropóloga Sylvie Raynal, da Universidade Sorbonne (França), Wolf Lustig, da Alemanha e outros pesquisadores estrangeiros. Conselheiro da revista DF Letras, do Concurso de Redação da S/A Correio Braziliense / Fundação Assis Chateaubriand, prêmio Estadão de Cultura/jornal O Estado de São Paulo, Imprensa Nacional,entre outros. Representante de FEDF (Fundação Educacional do Distrito Federal) junto a 52ª SBPC, realizada na Universidade de Brasília, em julho de 2000.
Foi o idealizador do Portal Usina de Letras em 1999 www.usinadeletras.com.br.
Co-editor da revista eletrônica "Poética Social"
www.sindescritores.com.br
www.sindescritores.hpg.com.br
www.gustavodourado.com.br
www.poetagustavodourado.hpg.com.br

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