Rio Grande do Sul / Brasil

Amor

P@ulo Monti

O amor eleva-se no ar
Flutua em profundo olhar...
Beija perdidamente o espaço da tua boca,
Perde-se em teus cabelos,
Desliza em teu pescoço...
Descobre teu coração!
Eleva nosso momento
Desnuda-se o céu
Brilha em nosso olhar!
Acompanha as suaves formas de nossos corpos tão próximos
Trêmulos e felizes...
Amor solto na noite
No amanhecer, na aurora
Do nosso despertar!
Amor,
Perdido de amor
Por nós...


Manifesto

P@ulo Monti

E enquanto vamos tapando nossas bocas
Com feijão e arroz,
Vão subindo o pão e o leite.
E enquanto vamos tomando suor com cansaço,
Vão sucumbindo todas as éticas, as profissionais, principalmente.
E enquanto vamos subindo as escadas,
Vão descendo nossas carcaças altivas.
E enquanto os relógios esmagam nossas cabeças vazias,
Vão calando as canções sem o ranger de idéias.
E enquanto comemos o pó das filas cotidianas,
Vão apodrecendo bilhões de neurônios.
E enquanto lutamos nas camas amores verticais,
Vão acabando nossos sonhos marginais.
E enquanto escrevemos na noite como se fôramos
Vermes costurando na cova fresca,
Vão calando nossas vozes que gritam no silêncio de nossos olhos televisores.
Viva o pileque que tomamos nesse botequim de palavras!
- A seguir: um enforcamento em praça reservada.


Dos conselhos

P@ulo Monti

Mandaram que eu saísse por aí
E fazer muitas coisas.
Disseram para tomar cuidado
Com as coisas que não conhecesse.
Pediram que fosse sozinho
Passear minha vida por aí
E abraçar o sol.
Esquece o passado, falaram.
Procura o futuro
E vive teu presente.
Falaram de tudo que é bom
E de tudo que é ruim
Mas não disseram o que fazer!
Foram tantos conselhos, tantas normas
E nada, nada...
Agora, solitário, eu marcho em plena multidão.
Tantos corpos, tantas caras, tanta gente.
Amigos queridos, inimigos mal-vistos sem mim
Que fujo, que luto, que me acabo
Só...
Só, como quando comecei a buscar
Muitas coisas: minha vida, meu cuidado.
Mandaram que saísse
Pediram que fosse
Disseram, disseram...
Nada!
Esqueci o futuro, procurei o passado
E morri no presente.
De mãos, braços e pernas, coração abertos.
Multidão
Solitário
Corpos
Gente!
Mandaram que eu saísse por aí e abraçar o sol.
Pediram que fosse na multidão
Passear minha solidão.
Disseram para tomar sozinho
Corpos, caras, gente, por aí!
Que saísse, mandaram
Que fosse, pediram
Tanta coisa, nada!
Tantos conselhos
Tantas fugas desses conselhos.
Tantas normas...
Só não falaram
Para ser eu mesmo
Para ser eu mesmo
Para ser
Ser.

 

Meu nome é Paulo Monti e moro em Porto Alegre, RS.
Uma breve incursão pela Psicologia durante três anos e, atualmente, estudante de Administração de Empresas. Participei, há alguns anos atrás, de concursos nacionais, como o Prêmio Nestlé de Literatura(com o pseudônimo de Artesão), de jornadas de poesia no Centro de Ensino Unificado de Brasília(meu querido e inesquecível CEUB) e tantos outros. Hoje em dia, reparto meu tempo entre o trabalho, a faculdade, os filhos e meus momentos de retorno ao útero universal, como sempre digo, que é a natação.
poeta_2002br@yahoo.com.br

Colaborações em listas: Sonhos-Palavras, porticoliteropoetiko, escritores_poetas.

Site próprio com poesias inéditas em
http://geocities.yahoo.com.br/poeta_2002br/index.htm

Participação em sites:

1) http://www.escritoresepoetas.kit.net/paulo.htm
2) http://www.cantinhodalena.intercanalum.com.br/cotidiano.htm
3) http://www.cantinhodalena.intercanalum.com.br/deserto.htm
4) http://www.cantinhodalena.intercanalum.com.br/amorp.htm
Membro da Academia Literária:
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