Canteiro
Jorge
Humberto
Olhando o jardim,
Mais abaixo,
Que da minha janela
É dado ver,
Soletro a palavra
Terra,
Como quem cerra
Um punho
Feito de músculos
E de heras,
Como que cobertos
Os meus olhos,
Por airosos fetos,
Brandos e viçosos
(23/07/2003) |
Essa mão desconhecida
Jorge
Humberto
De cada vez mais só,
Sem rumo definido,
Indefinido,
No rumo promovido,
Movido
Por mão desconhecida,
Conhecida,
Ultrapasso,
Passo
Para além da própria vida:
Mina,
Esquina
Assustadoramente conhecida,
Invertida
Num contexto mais profundo.
De cada vez mais só,
Sem rumo preciso,
Impreciso
Caminho
Sozinho,
Em um outro Mundo
Outrora tido
E hoje aqui...
Perdido.
(14:29/Maio/12/03)
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Presença
Jorge
Humberto
Nos esbatidos
das cores, que são estas
quando se espraiam,
em chão se deitando,
tomadas pela luz,
que da janela vai entrando,
há como que um sentimento
a nostalgia,
que nos chega
quando, se elevando,
são já os olores que se desprendem,
das frestas onde edificámos,
não as cores nem as luzes,
que da janela estão entrando,
mas do silêncio os olhos,
com que então as escutámos.
Portugal
(00:12/Maio/07/03)
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Nascido
à 37 anos, numa aldeia Portuguesa dos arredores de Lisboa,
de nome Santa-Iria-de-Azóia,
filho único, cedo mostrou a sua sensibilidade para as artes,
e apurado sentido estético.
Nos estudos completou
o 6º ano de escolaridade, indo depois
trabalhar para uma pequena
oficina de automóveis, no aprendizado de pintor-auto.
A poesia surgiu num processo
natural da sua evolução
enquanto homem, e a meio
a agruras e novos caminhos apresentados, foi sempre esta a sua
forma de expressão por eleição.
Auto didacta e perfeccionista
(um mal comum a todos os artistas), desenvolveu e criou de raiz
8 livros de poesia, acumulando ainda mais algumas centenas de
folhas com textos seus,
que esperam inertes num
fundo de gaveta a tão desejada e esperada edição,
isto num país onde apostar na cultura, é quase que
crime de lesa pátria.
Jorge Humberto
jorgehumberto@netvisao.pt
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