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Cortando a sombra das ruas
Desertas, portas fechadas.
Levamos bandeiras negras
E as faces escavadas.
Estão desertas as aldeias
E as fábricas fechadas.
Estão os campos em cinzas,
Nossas vidas destroçadas.
Cortamos a passo as brumas
Porque vamos de mãos dadas
Na miséria que nos ronda,
No choro que se acoberta.
E persistimos na luta
Sem termo, desesperada
Pelas ruas de amargura
Seguimos por esta estrada
Erguendo a bandeira negra
Na esperança desatinada.
Lisboa (Almada) Portugal,
26/10/2003
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