Palavreiros no Portal da UNESCO
(World Poetry Directory)
Este site tem a honra de ter sido incluído 
no portal da UNESCO 
em 21 de Novembro de 2001.

José Geraldo Neres


o autor?

entrevista


poemas(português/español)
"Ambrosia" (inédito)
"Homo-Sapiens" - poemas sombríos (inédito)
"poemínimos: -pássaros de papel-" (inédito)
"Poemas esparsos" (inédito)
relectura
releitura/homenagem

prosa(português/español)

Sobre obra poética/fortuna crítica

Na noite de São José
                                   a Beth Brait Alvim

a lua tenta furtar
as janelas dos sonhos
uma pena caiu de árvore imaginaria
outono; primavera convalescida
baila desatino em agenda eletrônica
caça o EU retirado
a compassivas horas





dia suspeito
                                   a Cláudio Feldman

pássaro de asfalto
tatua o muro
solitário - tempo -

cristal das palavras
duelo na fonte
de árvores ocas
(bebo
o silêncio)

nesta montanha
de vulcões ocultos
rochas rasgam
o século

crepúsculo humano
entre os dedos da vida

: caracóis de chuva
aroma de madrugada

re-leitura do livro "dia suspeito" - Cláudio Feldman, ed. taturana

 



Um quase inverno

                                  a Dalila Teles Veras

captura
papoulas
poesia ardente
a dançar um quase inverno

palavra-paisagem
madeira

crava na fúria
estradas e deuses
aprisiona segredos-signos-símbolos
e
tormentas

a palavra
desperta
a serpente urbe
en
cruz
ilhada
solo minado


homens rabiscados
formas
e
forças
fragmentos

janela dos dias

 

lendo "à janela dos dias - poesia quase toda" - Dalila Teles Veras, Alpharrábio edições

 



Canto Mestizo

                                  a Graça Graúna

Canto de cigarra
na árvore do mundo
tear do tempo
oculta Lorca
e as doze pedras

labirintos


II

minha aldeia
escrita ferida
voz desnuda
sem ninho

o homem se fez
:criatura avessa ao tempo
flagelo-fome-novela

no pó, poesia

sagrado vôo dos peixes
nossa imagem de mistérios
semente
parto da terra

deserto de cidades

o destino
pavimenta
aldeia-meninas-cores-filhos

choro
versos
de restos mortais
sudário de pôr de sol

canto mestizo
de anjos e pássaros
deuses extintos

re-leitura do livro "Canto Mestizo" - Graça Graúna, Blocos editora

 

 



A travessia dos espelhos
                                          a Ricardo Mainieri

armazena

pegadas
em verso-mundo
na calçada
(navego fantasmas)

balé:
textura-cimento-caos-humano
costura:
poeira
sinais
e
signos

céu néon

recolhe
a
ressaca
de outros heróis

quilômetros
                 de miséria

geografia
                 em jazz
                 sem dó

palavra
                 à deriva
                 faísca
                 no azul tietê

II

pausa

o
caracol
mudo
despe
a
música

hímen-blues
a
semear
poesia

infância
na
paisagem agreste

re-leitura do livro: "A travessia dos espelhos" - Ricardo Mainieri, coleção noventa - Inst. Est. Livro RS

 

poemas no ônibus

                                          a Ricardo Mainieri

a cidade percorre
sinais
e labirintos
vasculha velhos roteiros
veiculo ex
          tinto

lendo "Poemas no ônibus", Secretária da Cultura, Porto Alegre(2003)

 



segunda chuva

                                a Lau Siqueira
 
segunda chuva
abraça palavras
feito um so-
             rriso
pre
    gui
        ço
            so
 
duas             asas
instinto tranqüilo
riso de pássaros
 
num cochilo
sopro
palavras        em fuga
 
ruído de lua
trama impre-
            visto
in
    ver
           so
 
desnudo
 
minha carne
segredo
        incêndio
                    mergulho
nos anjos-carteiros
 
e
s
c
u
t
o
 
blusa-poeta
lágrima
            trans-
                    pondo
                    versos
in-
vento
pegadas
na nascente     lausiqueira
"sem meias palavras"
 
 
*a lau siqueira

lendo "sem meias palavras" idéia editora ltda

 



Yêda
                
                a Yêda Schmaltz


palavras
verbo feminino
aprendiz
carmim e pluma
texto asteca
czar João Cabral
dicionário,
uma poeta-pássaro
indaga as fúrias
arte
águas;
ânforas, cântaros, âncoras
escrita cristal
feminino sol...

II

*poeta
     manhã branca


ilha
     de interiores

prata
     pequena
     perdi

lua
     em silêncio
azul
     afogado
     em tranças

brilho
     corre o mar
     em
     soluços

                  longos


*Re-leitura: "Poeta chorando pela Manhã" - Yêda Schmaltz, Livro: Prometeu Americano

 



Phalábora

                                a Gustavo Dourado


Ritmaste
:pássaro de luz tropical
lavra(a)dor
canto do abandonado
das metamorfoses sonoras
no oceano sertanejo
cadente nave
a morte dança como anjo louco
de sete sinas
vampiro meta.físico
língua de sete buracos
rouba o sopro da foice
estrelua pontiaguda
:baião-blues
saravá
xote maracatu
navega Netuno
           serpente
           lobisomem
           bichomem
           cigano da palavra

 

lendo: "Phalábora" Autor: Gustavo Dourado
http://www.bibliotecasvirtuais.com.br/biblioteca/gustavodourado/index.htm

 



O eremita

                                a Andityas Soares de Moura

o perfume da grama verde
nas sombras:
sussurra o sangue

crianças num copo antigo

desespero
solo-templo-metálico

pupilas de vinho
o verbo canoeiro das línguas
no caminho/seios
alfinetes de pássaros anfíbios

é o sal da carne
e na cintura à umidade das flores
o menino pisa o solo
sorri

na ventania das serpentes
gozo
de luz
rebelião nas bocas de anjos-negros
barcos do outono
chama do caos

suave trombeta
um manifesto nas vidraças da igreja

a esposa
cravada
na pequena gota do girassol


lendo o livro "LENTUS IN UMBRA" de Andityas Soares de Moura

 





Partes de Mim
                                a Clevane Pessoa de Araújo Lopes

rosa nebulosa
engaiolada no espaço:
                               alguém

ave sideral
mergulhada
nos sabores da alma
em medos espirais
poeira perplexa

corpo virgem
grávido
nos raios de um pequeno arco-íris

fúria

sementes

lendo: Partes de Mim, Clevane Pessoa de Araújo Lopes
re-leitura de José Geraldo Neres


Adagas

                                a Clevane Pessoa de Araújo Lopes

raro olhar
que faz sarar
o espanto de certas donzelas
ruídos da cidade
compasso
cheiro a rosa dos invisíveis portais
madrugada na alma de cada século
a história
a pedra
a brasa
bordada na pele

lendo: Partes de Mim, Clevane Pessoa de Araújo Lopes
re-leitura de José Geraldo Neres
26/03/2003

 

Chave

ínfimo
       cosmos
           mapa das almas,

evolução pequena
       forma
       traçada

irmão
       nosso
       à ele
       transcender...


poesia: "Chave", autora: Clevane Pessoa de Araújo Lopes
re-leitura de José Geraldo Neres


lento tear
caracol de dias
o tempo arrasta a barriga
onda ardente da flauta de Pã
folhas caem: frutos de luz
o vento sopra a gestante
dança o desejo

nove mêses
uma orquídea
de botões de carne


19/10/2002


 



 



À flor do verso

                                a Rio Claro
                                          a Sandra Regina Sanchez Baldessin

I

n’alma
         o livro
primavera
         grávida
         de
         girassol
         e
         silêncio

o corpo
         na
         chuva
         a
         pele
         soma

(insiste)

toque
         de
         símbolos
respira
         a
         palavra
         abraçada
         à
         margem
         azul

faca
         de vestir
         flores
         nas
         entranhas
         da vida


II

poema
         na voz
         da
         terra
         na garganta
         das estrelas

no útero
         da chuva
         os risos
                  da infância

na pele
         da palavra
         o silêncio
                  reza
tatua
         o orgasmo
         escorre o rio
                  na metáfora
no aroma
         verde
         a sombra
                  recita
                  versos


III

no verbo
         a vida
no poema
         a carne

pele-palavra

perfume
         vira
         página




*lendo “À flor do verso” livro de Sandra Regina Sanchez Baldessin (28/09/2003 – VII Encontro Regional de Escritores - Rio Claro / SP.).




No canto d'alma
                                
a Fernando Girão


Um grito
             
caído na terra
             no canto d'alma
             um traço de outra
                                
pessoa
-a minha vida-
             
boca amarga
             
de segredos e
                                dilemas
um caminho
             no fado
                 no espelho
                     no medo
                         no vôo raso
-a loucura pensa
e aceita-
poema de silêncio
                   :minha espada
caçando as bestas
nas batalhas da vida
                   :meu barco
nos labirintos humanos
e nessa bandeira
                   o destina sonha
                   e liberta
-a criança-
irmã do tempo
escreve
um ajuste de contas
-o milagre
num Deus ocupado-


"No canto d'alma" - José Geraldo Neres lendo "Fernando Girão - uma antologia híbrida" 24/01/2004