JUAN
Carlos Rodriguez Latorre
"Latino-América me chama. Recolheu-me
em seus poéticos braços aos dezessete
dias de um outubro vermelho de 1954. Viajando nas
primaveras de Neruda de Roka, Federico Garcia Lorca,
Gabriela Mistral, Gabriel Garcia Márques, Nicolas
Guillén, Sabato, Vargas Llosa, Borges, Eduardo
Galeano, Nicanor e Violeta Parra, Pessoa, Veliz, João
Cabral de Melo Neto, continua na luta da poética
latino-americana." É membro do Conselho
Editorial do Grupo Palavreiros de Diadema.
Astronauta
Juan
Carlos Rodriguez Latorre
inerte
caminhante
do universal cemitério
onde perambulam peixes mortos
em forma de sucata.
as
vozes se multiplicam
em falecidos ecos inumanos
furiosos ventos desaparecem
engolidos pelo nada.
vísceras
esticadas
os negros cérebros acéfalos
elucidam o tormento
dos deuses.
Globalização
Juan
Carlos Rodriguez Latorre
Tendões
elétricos
Anunciam falsos sinais
Na teia mágica da comunicação
Tirano decreto global
Na periferia do globo marginalizado
Fibra
ótica não enxerga
Milhares de rostos sempre excluídos
Amorfos homens sem célula
Nem celular
Perdidos na equação parabólica
enclausurados nas telas computáveis
São
Paulo
Juan
Carlos Rodriguez Latorre
grande
contraste
contrasta
a monumental cidade.
urbanismo louco
esticam-se prédios
florescem favelas
nos sofridos morros
e imundos córregos
retirantes são retirados da vida
aos finais de semana
negros tingem a terra
com sangue ofendido
escurecem as grades
dos presídios
morros mutilados
embriagados de periferia
lixo, ratos, esgoto
violentas escadarias
infantis
himens
esquecidos
na grande cidade
brinquedos mortos.
Antologia
"Tempos Perplexos" realização
do Departamento de Cultura de Diadema.
Concepção, seleção, organização:
Beth Brait Alvim
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