LÍLIAN MAIAL
| 1) ESCONDERIJO
quarenta ladrões vieram
nenhum ali
abriu-me sésamo
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| 2) REDEMOINHO
dançam fantasmas e lembranças
enquanto eu
sonho ralo
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| 3) SALTO
palavra (re)presa no peito
corre no olho o rio
cascata iminente
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VINÍCIUS TRINDADE
| 1) AFOGAMENTOS
bêbado bebendo bebida
que nada vai curar
as mágoas já sabem nadar
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| 2) ANGINA
não tenho mais nome
hoje sou
aquilo que sinto
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| 3) VÍCIO SOLITÁRIO
no meio mesmo da mesmice
leio um verso do Leminski
e disfarço minha burrice
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HÉRCIO AFONSO
| 1) ABORTO (03-05-2002)
A palavra que gesto
gerada pelo seu olhar
que feneceu
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| 2) O MAGISTÉRIO (24-04-2002)
Apaga(dor)
o quadro negro
sem sinal de vida
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| 3) BEIJO
No céu da sua boca
busco as estrelas
na ponta da língua
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GUILHERME AMORIM
| 1) PRECONCEITO
Quem só preto e branco vê,
Tolo, acaba por perder
O espetáculo do arco-íris.
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| 2) DOCE
Na escola, a criança
Recebe uma bala
Perdida.
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ARMANDO LEAL
| 1) O tempo, o cerco, o silêncio
fujo
pelo cano
duma pistola
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| 2) Mão Política
a destra
pensa sempre que doma
a sinistra
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| 3) Estátua
restos de pedra:
movimentos de gestos
parados.
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ANGELA BRETAS
| 1) Eco(lógico)
Astros e estrelas
preferem
tapete verde
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| 2) Penúria
seca
cega
como (m)olhar-te?
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| 3) Má(temática)
Não adiciono
sou
sub(traída)
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DREYF CAMPANO
| 1) Mania de filho
esquecendo a mulher
chama de mãe
a Amélia do pai
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| 2) Ânsia
Espera-me!
Sou um sonho...
que ainda vais ter.
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| 3) Aflição
Mexe e remexe
troços e traças
no baú da mente
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PEDRO CARDOSO
| 1) Grávida
No corpo da menina
a barriga cresce
como uma boca faminta
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OSWALDO MARTINS
| 1) CALAFRIO
Sobra-me fé e medo:
Cedo erros revejo mudo...
E haja frio em tudo!
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| 2) INUTILIDADE DA ARTE
Fim de mais um domingo.
Passou o tempo pelo vate
Em versos inúteis...
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MARTINHO BRANCO
| 1) Teatro da vida
Seja em farsa, comédia ou drama,
há sempre alguém
que nos trama.
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| 2) O Guerreiro
Uma lágrima furtiva cresceu
na face de um soldado.
Lembrou-se dos filhos...
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JUSSARA MIDLEJ
| 1) Na sinaleira
infância abandonada
passo batida
na visão acostumada
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AILA MAGALHÃES
| 1) templarium
meu corpo:
rito
de tua passagem
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CARMEN TUCKORS
| 1) Bendito Impulso
Escrevo
O que o coração mal_dita.
Meus versos não têm grife.
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JUCINÉIA
| 1) Terra de ninguém
Meus versos
não são meus
se não os quiserem o leitor
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| 2) Mortalhas
Algumas preces
não alcançam
o céu
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