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Setecentos e trinta
mil anos antes da
crucificação
Quando em redor do lago Tiberíades era
todo verde
Nos quase-homens, sentávamos às suas
margens
E víamos nosso filhote ser comido por
um crocodilo gigante
Sem asas, aves, presas fáceis de carne
tenra e rosada
Crua e às vezes com penas, que cuspíamos
na chamada do raio
E quando o sol-criador se punha em Marte
comíamos carne de camelo queimada
e ríamos, gritávamos e nos mordíamos
com nossos dentes negros
Nosso mau-cheiro não existia
Éramos agradáveis
As neuroses estavam distantes
no futuro
Alguns dos nossos haviam partido em
direção ao sol
ver seu ninho oco que nascia atrás
E nós que ficávamos, quando saíamos
da toca para as árvores
colher e brincar
Não caíamos dos galhos
Não batíamos as cabeças
Éramos saudáveis
Éramos carne
Havia frescor na terra
A morte era um mistério sem dor
A dor era um dos muitos mistérios
Tudo na terra era de todos
Quando havia muito, muito todos
comiam
Se havia pouco, pouco era comido
por todos
Não havia donos e o que queria
logo era morto
Linchado
Amor não era sentido
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