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Escuto
as palavras
que vagam num silêncio
de nuvens
entre as muralhas
dos teus dentes
e de pronto
ecoam em minha boca
num envoltório de beijos.
Revôo o firmamento preciso
onde o amor contesta
com a desventura
e a entrega
com a negação do desejo
e te sepulta em meu corpo
sem que percebas
absoluto
num dilúvio de estrelas.
Indecifrável
veloz
e com lanças
me encarceras sem fôlego
em teu peito.
Ininterrupto
me cobres
num orvalhar de anelos
demarcas minha alma
com estrutura de neve
e com mãos
por vezes desertas
deixas em testamento teus ossos
que me calcificam
mesmo quando ausente.
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